quarta-feira, 19 de maio de 2021

Mapas: Questão Palestina

Sālam a todas e todos!

Seguem os mapas para consulta da série de vídeos sobre a Questão Palestina. Atualizarei este post conforme for postando os vídeos. 

Mapa 01: Plano de Partilha da Palestina Segundo a Comissão Peel (1937)


De verde, a área prevista para o Estado palestino. De azul, o território previsto para o Estado judeu. Em vermelho, a área com status internacional. 


             Mapa 02: Plano de Partilha da Palestina Segundo a ONU (1947)


Baseado na partilha da Comissão Peel, a partilha da ONU não consultou a população palestina e mesmo assim foi oficializada com a proclamação do Estado de Israel em 14 de maio de 1948.

Referências 

Beatriz Canepa e Nelson Bacic Olic. "Oriente Médio e Questão Palestina". São Paulo: Moderna, 2003. 

Mapa 01: http://www.conexaoisrael.org/80-anos-atras-comissao-peel/2017-07-05/joao

Mapa 02: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/questao-palestina.htm



sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Mapas, Imagens e Referências para a Live "Terrorismo, Islamofobia e Liberdade de Expressão"

Mapa da Chechênia 



Conferência de Berlim (1884-85): partilha da África




Conferência de Bandung (1955)



Império Colonial Francês (séculos XVI-XX)




Referências 

BAKR, Lina. França, islamofobia e violência: entrevista com a antropóloga e coordenadora de estudos em contextos islâmicos, Francirosy Campos Barbosa. Monitor do Oriente Médio, 10 nov. 2020. Disponível em: França, islamofobia e violência – Monitor do Oriente

CRAVEIRO, Rodrigo. Professor é decapitado na França por exibir charge de Maomé; Macron reage. Correio Braziliense, 17 out. 2020. Disponível em: Professor é decapitado na França por exibir charge de Maomé; Macron reage (correiobraziliense.com.br)

BASSETS, Marc. Milhares saem às ruas na França em homenagem a professor decapitado por terrorista islâmico. El País, 18 out. 2020. Disponível em: Milhares saem às ruas na França em homenagem a professor decapitado por terrorista islâmico | Internacional | EL PAÍS Brasil (elpais.com)

CARR, Caleb. A assustadora história do terrorismo. Tradução: Mauro Silva. São Paulo: Ediouro, 2002.

CRUZ, Natalia dos Reis. Islamofobia e elementos fascistas no discurso de Olavo de Carvalho e do Movimento Mídia Sem Máscaras (MSM). Revista de Ciências Sociais, Fortaleza, v. 51, n. 2, jul./out. 2020, p. 337-389. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/53097

RAMALHO, Roberta. Quais países foram colonizados pela França? Francês Objetivo, 3 set. 2018.Disponível em: Quais países foram colonizados pela França? – Autrement Dit (francesobjetivo.com.br)

RUNNYMEDE TRUST COMMISSION ON BRITISH MUSLIMS AND ISLAMOPHOBIA. Islamophobia A Challenge For Us All. United Kingdom, 1997.Disponível em: Runnymede Trust / Publications & Resources


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Minicurso "A Conquista Islâmica da Península Ibérica em 711: os pontos de vista cristão e muçulmano"

ALERTA de minicurso online e gratuito!

Ministrarei esse minicurso na XIX Semana de História, do dia 08/12 ao 10/12, das 9h às 11h. 

Inscrições gratuitas até 03/12 em: 

https://www.even3.com.br/xixsemanadehistoriaufg/

Descrição da Atividade: 

“Oh, meus guerreiros, para onde vocês fugirão? Atrás de vocês está o mar, perante vocês, o inimigo. Vocês têm agora somente a esperança da coragem e da perseverança”. Essa é uma anedota árabe popular cuja autoria é creditada ao general muçulmano Ṭāriq Ibn Ziyād.

Tais dizerem teriam sido proclamados durante a travessia do exército muçulmano pelo Estreito de Gibraltar em meados de 711. Na ocasião, os soldados muçulmanos árabes e berberes se deslocavam do norte da África para a Península Ibérica. Em solo ibérico, Ṭāriq Ibn Ziyād liderou as tropas muçulmanas na vitória decisiva contra o exército cristão visigodo, comandado pelo Rei Rodrigo, na famosa Batalha de Guadalete. Dali até 715 a conquista islâmica do sul e do centro da região se consolidou, formando Alandalus, a Península Ibérica sob domínio islâmico, caracterizada por momentos de convivências diversas (pacíficas e violentas) e de intercâmbios culturais entre cristãos e muçulmanos.

Naquele contexto, o Islām estava em expansão tanto no Oriente quanto no Ocidente (via norte da África) e Alandalus se tornou parte fundamental do mundo islâmico e da história da Península Ibérica.

A proposta do minicurso é apresentar e comparar a conquista islâmica de 711 a partir das duas fontes mais antigas que abordam o tema: a Crónica Moçárabe de 754, de autoria anônima e cristã, e o Livro de História (Kitāb Attārīḫ), do muçulmano Ibn Ḥabīb (século IX). Enquanto que para os cristãos a conquista islâmica foi entendida como uma catástrofe e um castigo divino, os muçulmanos interpretaram sua vitória como um triunfo da vontade de Deus.

 







quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Imagens para a Live "Pensando a História Com o Game Assassin´s Creed (2007)"

 Olá! 

Seguem as imagens apresentadas na live "Pensando a História Com o Game Assassin´s Creed (2007)". 

Data e horário: 21 de outubro às 19h.

Link para a live: https://www.youtube.com/watch?v=2Yc_bJA2_9c&feature=youtu.be


Imagem 01: Capa do Game


Fonte: Wikipédia. 

Imagens 02: Gameplay




Fonte: https://www.ubisoft.com/pt-br/game/assassins-creed/assassins-creed

Imagem 03: Mapa das Zonas de Atuações das Cruzadas


Fonte: FRANCO JÚNIOR, Hilário. As Cruzadas. 6. ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 63.

Imagem 04: Mapa do Oriente Médio (atual)

Fonte: http://profvalterbatista.blogspot.com/2013/08/oriente-medio-textos-e-atividades.html

sábado, 2 de novembro de 2019

Podcast: Ogro Historiador

Saudações!

Como alguns sabem, contribuo para o site Ogro Historiador. Há poucos dias iniciamos mais uma fase desse projeto, que já está fazendo 1 ano, lançando o nosso podcast!

Nesse primeiro episódio, Hugo David, Wendryll e Johnny conversaram sobre História, temporalidades e o papel do historiador. Em breve, participarei comentando sobre Islã, Oriente e outros temas de História.

Ouçam e, se possível, deem uma força compartilhando! 

Muitíssimo obrigado!



quinta-feira, 14 de junho de 2018

Al Ḥurūf: Relatos de Pesquisa #02 – conhecendo o xeique da Mesquita de Anápolis



Por Thiago Damasceno

Fim de tarde em Anápolis: um friozinho básico, o Sol dando seus últimos passos na dança celeste e a Lua Crescente começando a se exibir. Desci do carro dando de cara com essa bela Lua e uma placa que dizia “Centro Islâmico de Anápolis”. Era 24 de maio de 2018, quinta-feira, momento de conhecer pessoalmente o xeique Nasser Sahim, responsável pela até agora única mesquita no estado de Goiás.
Apertei o interfone várias vezes. Até pensei que aquilo não daria em nada, pelo menos naquele dia, mas então o portão se abriu. Avistei o xeique ao longe, no estacionamento do templo islâmico. Ele também acenou. Trocamos os clássicos “As salamu alaikum! e apertos de mão e de ombro.
- Seja bem-vindo! – disse em português, numa entonação que demonstrava que ele não era brasileiro.
            Fomos até seu escritório repleto de estantes de livros, cartazes, sofás e uma mesa abarrotada de papéis e com um computador. Ele convidou-me para sentar em um dos sofás, trocamos mais algumas palavras e então ele me encheu de livros de Teologia Islâmica e um calendário feito pela FAMBRAS (Federação das Associações Muçulmanas do Brasil) comparando nossos meses de maio e junho deste ano com o vigente mês do ramaān do ano islâmico atual, 1439. O calendário também tinha os horários corretos para cada oração.
Nesse momento, lembrei, de mim para mim, a busca por refúgio, por parte do Profeta, da cidade de Meca para até então Yatrib (futura “Medina”), em 622, episódio conhecido como “Hégira”. Anos depois, durante o Califado de Omar (634-644), a Hégira foi oficializada como o marco inicial do calendário islâmico, sendo o ano cristão 622 correspondente ao ano 01 islâmico. Naquele califado em expansão, era preciso não só uma forma de registro do tempo, mas também elementos de identidade própria ao Islã, uma fé em constante crescimento social e institucional. Nesse processo, nada melhor do que um calendário específico para aquela religião/aquele poder político.
Mas não vou me deter muito em digressões sobre temporalidades... Voltemos à minha visita.
            Xeique Nasser é um sacerdote islâmico sunnita, nascido no Egito. Está no Brasil há 9 anos. Trabalhou, primeiramente, no Mato Grosso do Sul, depois veio para Anápolis, que recebeu imigrantes árabes e muçulmanos em quantidade considerável, talvez por isso seja a única cidade de Goiás que até agora tem uma mesquita. Em Trindade há uma muṣṣāla (sala de oração) e em Jataí há um centro religioso que, segundo o xeique Nasser, não chega a se constituir como uma mesquita. Perguntei como estava o movimento de fiéis na mesquita neste ramaān e ele disse que estava bom, e me convidou para um jantar de quebra-de-jejum dali a dois domingos.
            No decorrer da conversa me apresentei, claro, como historiador formado pela UEG (Universidade Estadual de Goiás) de Anápolis e que agora é estudante da UFG (Universidade Federal de Goiás) em Goiânia. Também falei que trabalho no IFG (Instituto Federal de Goiás), Câmpus Anápolis, onde também atuo como pesquisador. Isso tudo foi a introdução para meu objetivo acadêmico principal: fazer uma pesquisa sobre a mesquita (ou algo na área).
            O xeique gostou da ideia. Disse que me ajudaria e já me deu algumas informações: a mesquita foi fundada em 1975 e seu terreno doado por um não muçulmano. Ele falou muito sobre esse bem feitor, mas não consegui entender seu português muito bem. Mas entendi quando ele disse que depois me mostraria fotos da época da fundação do templo e alguns documentos. Isso é alegria para historiador!
Sendo assim, considerei esse encontro um bom primeiro contato. Espero que seja só o início de um bom e longo convívio.
Até o próximo relato de pesquisa!

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Al Ḥurūf: Relatos de Pesquisa #01 - uma palestra de um embaixador sírio



Por Thiago Damasceno

Uma palestra de um embaixador sírio sobre a guerra na Síria e um doutorando em História fissurado pelos temas do Oriente Médio: está aí um programaço para sábado! (ou não). Este é o primeiro relato oficial das minhas peripécias e cotidianos como pesquisador e estudioso da história árabe e islâmica. Já deveria ter começado isso bem antes, mas tudo bem. Outros relatos virão.  
A palestra – organizada pelo Comitê de Amizade e Solidariedade Brasil-Síria e pela Federação de Mulheres - foi no Auditório Solon Amaral, na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, em Goiânia, no sábado, dia 19 de maio de 2018, das 15 horas até umas 18 horas. O palestrante foi o embaixador sírio no Brasil Mohammad Khafif. Como convidados, a sociedade no geral. Quando falo “no geral”, foi no geral mesmo, pois o auditório se tornou uma representação do Brasil: cores, etnias, credos, tendências políticas e organizações político-sociais de todo tipo, de mulheres feministas da Mama África e grupos de imigrantes sírios e libaneses até organizações religiosas sírio-brasileiras passando por representantes do PT (Partido dos Trabalhadores), do Sindicato dos Professores da Rede Privada do Estado de Goiás e de uma organização contra o neoliberalismo mundial. Peco em não lembrar os nomes exatos de todos os grupos. Como brinquei com a amiga jornalista que estava comigo: “Só falta aparecer aquela organização que os Mamonas falam em “Uma Arlinda Mulher”: a Associação Internacional de Proteção às Borboletas do Afeganistão”.
Uma matéria jornalística dizia o seguinte sobre o embaixador: “nomeado pelo presidente da República Árabe da Síria, Bashar Al-Assad, um médico oftalmologista, com especialização em Londres, Inglaterra, Mohammad Khafif é formado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Damasco e tem doutorado em Direito Público Internacional pela Universidade de Leipzig na Alemanha”.
Sobre a palestra, a mesma matéria informava o que se segue: “A proposta é desconstruir a ‘versão falsa’ espalhada pelos grandes conglomerados de comunicação do mundo, denunciar a ocupação do seu território por EUA, Israel e Turquia e mostrar os crimes do Estado Islâmico e da Frente Al-Nusra”.
Por essa breve leitura, percebi de antemão que o evento seria complicado, não pelo levantamento, em quantidade grande e diversa, de dados e teorias, mas pela questão da propaganda política pró-Assad, visto como anjo por alguns e como demônio por  outros.
 Mohammad Khafif leu seu brilhante resumo sobre a história da Síria, uma visão panorâmica focando nos conflitos políticos e militares contemporâneos. Ele afirmou que a guerra, que envolve outros países, é uma ameaça à soberania síria e à garantia dos direitos humanos ao seu povo. Nisso ele está certo, sem sombra de dúvida. No entanto, seu discurso não trouxe à tona a complexidade do conflito, alimentado por diferentes grupos políticos e grupos armados, tanto internos quanto externos, com distintos interesses específicos. O embaixador falou em uma conspiração ocidental, comandada pelos Estados Unidos da América, contra o exército sírio, o povo sírio e o governo, conspiração essa que a grande mídia ajuda a divulgar. Seu discurso unificou muitos atores e forças sociais, quando, o que observamos daqui, por meio da mídia e, mais ainda, por meio de sérios estudos acadêmicos, são visões diferentes, cujo breve resumo apresentarei a seguir.
Iniciada em princípios de 2011, após dura repressão do regime Al-Assad às manifestações populares desencadeadas pela Primavera Árabe, a guerra na Síria dura até hoje, fazendo oito anos. As forças externas ao lado do regime Al-Assad são Rússia, Irã e Hezbollah, a milícia libanesa xiita. As forças exógenas contrárias ao governo sírio incluem países como EUA, França, Reino Unido, Arábia Saudita e Turquia. Dentro da Síria, vários grupos armados, desde os mais extremistas, como o Daesh (“Estado Islâmico”), a grupos considerados mais moderados, como o Exército Livre da Síria e o grupo curdo Unidade de Defesa Popular. Esses grupos internos citados são contra o regime Al-Assad e não, não são aliados entre si, o que torna o conflito bem complexo.
Dizendo apresentar a “verdade dos fatos” (expressão um tanto complicada), creio que o discurso do embaixador pecou em não aprofundar mais a temática. Além disso, a propaganda pró-Al-Assad, feita por ele, beirou o risível: ao ser questionado por alguém da plateia sobre como o presidente Bashar Al-Assad estava vivendo com a guerra, o embaixador informou que o presidente estava bem de saúde física e mental, que andava com seu carro sem nenhum segurança pelas cidades e que visitava os enfermos não nos hospitais, mas em suas casas.
Oras, que presidente é esse que consegue tempo e condições para realizar tais atividades em um país devastado há quase uma década pela guerra?
Não quero posar de implicante. Muito menos desconsiderar todo o discurso do embaixador nem defender a guerra. Não é isso. Como historiador, uso discursos como fontes e, em nosso ofício de conhecimento histórico científico, indagamos e questionamos as fontes, pois nenhuma delas carrega Verdades Absolutas, mas suas próprias verdades. Sendo assim, eu levantei, naquele dia, duas questões (de mim para mim):
1 – Por quê e como a família Al-Assad está no poder desde o ano de 1970?
2 – Se certos setores e grupos, tanto sírios quanto brasileiros, defendem um presidente tão carismático, popular e cuidador do seu povo, como explicar a situação histórica dos imigrantes e, principalmente, dos refugiados sírios?
Creio que são questões que devem permear todo esse debate e a reconstrução dos conflitos na Síria, mas tendo em mente que nunca chegaremos à Verdade Absoluta de nada, ainda mais com a História, essa ciência que, como diria o historiador francês Pierre Nora, é uma “reconstrução sempre problemática e incompleta daquilo que não é mais”.
Nessa perspectiva, não podemos reduzir os acontecimentos históricos e, principalmente, os conflito militares atuais, a campos com dois polos, com “vilões” de um lado e “mocinhos” do outro. As alianças internas e externas no contexto da Guerra na Síria também não são formadas por questão de amizades e simpatias, mas por interesses. Por exemplo, além de buscar maior protagonismo no cenário geopolítico mundial, a Rússia apoia o regime Al-Assad porque sua única base militar no Mediterrâneo, a Base Tartus, está no litoral sírio. A construção dessa base teve seus princípios no contexto da Guerra dos Seis Dias de 1967, quando a então União Soviética (URSS) deu apoio tático e militar à Síria contra seu inimigo na ocasião, o Estado de Israel.
Espero, com este relato, ter contribuído para um maior entendimento sobre o evento da Guerra na Síria (2011-) e também para a ideia de estudos históricos mais aprofundados que abordem as complexidades dos interesses e das relações geopolíticas.
As samalu alaikum!

Referências

BRANCOLI, Fernando. O conflito na Síria e a geopolítica no Oriente Médio. In: Chutando a Escada 017 (podcast).
Acesso em 17/05/18.

CLEMESHA, Arlene. Arlene Clemesha – Pânico. In: Pânico Jovem Pan, 30/09/15 (YouTube).
Acesso em: 16/05/18.

KARNAL, Leandro. A Síria é quase que uma advertência para o mundo. In: Rádio Bandeirantes, 07/04/17 (YouTube).
Acesso em: 15/05/18.

VASCONCELOS, Yuri. A humanidade sob os escombros. Guia do Estudante Atualidades, edição 25, 1º semestre de 2017. São Paulo: Abril, 2017, p. 46-53.